Belém, aos 14 dias de agosto de 2009
Envio esta sem a intenção de que alguém leia, mas na esperança que alguém responda.
Esta e fruto de um trabalho que me encontro agora fazendo, que me levou a refletir e me impulsionou a escrever.
Sou felizardo por estar fazendo a edição de algumas das cartas de um artista fantástico e que quanto mais conheço, mais me apaixono. Não por sua obra (que infelizmente pouco conheço) mas por sua pessoa. Que compartilho da humanidade e percepção crítica do que ora cercava ele, ora me cerca.
Acreditar no seu talento será realmente válido? Será que existe espaço para talentos ou somente uma coisa válida para a grande maioria se "entreter" quando nada tiverem a fazer?
Amigos que antes bebiam em minha mesa e que hoje se encontram do outro lado da mesma, sequer falam direito comigo.
Politicos que dizem abertamente na Tv ser "um absurdo o abuso da fé do mais humildes"... mas o que a maioria faz?
Pessoas que matam pessoas por não enchergarem as coisas como elas enchergam.
Pessoas morrendo de fome, de sede e de solidão, esta cada dia maior e hoje "iluminada" por uma tela de computador ou mesmo pelo visor de um celular.
Poder...
Dinheiro....
Será que o peso da terra, quando sepultados, tem alguma variação?
Poderia acaso me afirmar se existe paraíso?
Desacredito nisso se for habitado por estas pessoas.
Maturidade... és meu presente mais cruel.
Resta somente este desabafo numa posta-restante, na quase certeza do total desconhecimento de todos.
Talvez algum dia, alguém ao fechar este blog por não ter mais publicação, leia e reflita ou até mesmo responda.
Mas não aprendo.... insisto nisso.
Porque tanta desgraça, tanta miséria meu pai...Seria esta minha pergunta para ele se algum dia tiver a oportunidade de encontra-lo.
Precisava colocar isso em algum lugar. Precisava ficar mais leve.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Como lidar com a não-verdade
Quando pequeno, sempre fui atraido por máscaras... coloridas e mágicas.
Apesar de assustar, por não saber o que elas escondem, o mistério sempre me pareceu sedutor.
Mas com a idade descobri o horror que podem ocultar e isso realmente espata.
A maturidade é sábia... e cruel.
Diz no livro "Amai uns aos outros...", mas como amar o que não vemos?
Apesar de assustar, por não saber o que elas escondem, o mistério sempre me pareceu sedutor.
Mas com a idade descobri o horror que podem ocultar e isso realmente espata.
A maturidade é sábia... e cruel.
Diz no livro "Amai uns aos outros...", mas como amar o que não vemos?
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Carta Aberta a John Ashbery
de Waly Salomão
A memória é uma ilha de edição - um qualquer
passante diz, em um estilo nonchalant,
e imediatamente apaga a tecla e também
o sentido do que queria dizer.
Esgotado o eu, resta o espanto do mundo não ser
levado junto de roldão.
Onde e como armazenar a cor de cada instante?
Que traço reter da translúcida aurora?
Incinerar o lenho seco das amizades esturricadas?
O perfume, acaso, daquela rosa desbotada?
A vida não é uma tela e jamais adquire
o significado estrito
que se deseja imprimir nela.
Tampouco é uma estória em que cada minúcia
encerra uma moral.
Ela é recheada de locais de desova, presuntos,
liquidações, queimas de arquivos,divisões de capturas,
apagamentos de trechos, sumiços de originais,
grupos de extermínios e fotogramas estourados.
Que importa se as cinzas restam frias
ou se ainda ardem quentes
se não é selecionada urna alguma adequada,
seja grega seja bárbara,
para depositá-las?
Antes que o amanhã desabe aqui,
ainda hoje será esquecido
o que traz a marca d'água d'hoje
Hienas aguardam na tocaia da moita enquanto
os cães de fila do tempo fazem um arquipélago
de fiapos do terno da memória.
Ilhotas. Imagens em farrapos dos dias findos.
Numerosas crateras ozonais.
Os laços de família tornados lapsos.
Oco e cárie e cava e prótese,
assim o mundo vai parindo o defunto
de sua sinopse.
Sem nenhuma explosão final.
Nulla dies sine linea. Nenhum dia sem um traço.
Um, sem nome e com vontade aguada,
ergue este lema como uma barragem anti-entropia.
E os dias sucedem-se e é firmada a intenção
de transmudar todo veneno e ferrugem
em pedaço do paraíso. Ou vice-versa.
Ao prazer do bel-prazer,
como quem aperta um botão da mesa
de uma ilha de edição
e um deus irrompe afinal para resgatar o humano fardo."
de Waly Salomão
A memória é uma ilha de edição - um qualquer
passante diz, em um estilo nonchalant,
e imediatamente apaga a tecla e também
o sentido do que queria dizer.
Esgotado o eu, resta o espanto do mundo não ser
levado junto de roldão.
Onde e como armazenar a cor de cada instante?
Que traço reter da translúcida aurora?
Incinerar o lenho seco das amizades esturricadas?
O perfume, acaso, daquela rosa desbotada?
A vida não é uma tela e jamais adquire
o significado estrito
que se deseja imprimir nela.
Tampouco é uma estória em que cada minúcia
encerra uma moral.
Ela é recheada de locais de desova, presuntos,
liquidações, queimas de arquivos,divisões de capturas,
apagamentos de trechos, sumiços de originais,
grupos de extermínios e fotogramas estourados.
Que importa se as cinzas restam frias
ou se ainda ardem quentes
se não é selecionada urna alguma adequada,
seja grega seja bárbara,
para depositá-las?
Antes que o amanhã desabe aqui,
ainda hoje será esquecido
o que traz a marca d'água d'hoje
Hienas aguardam na tocaia da moita enquanto
os cães de fila do tempo fazem um arquipélago
de fiapos do terno da memória.
Ilhotas. Imagens em farrapos dos dias findos.
Numerosas crateras ozonais.
Os laços de família tornados lapsos.
Oco e cárie e cava e prótese,
assim o mundo vai parindo o defunto
de sua sinopse.
Sem nenhuma explosão final.
Nulla dies sine linea. Nenhum dia sem um traço.
Um, sem nome e com vontade aguada,
ergue este lema como uma barragem anti-entropia.
E os dias sucedem-se e é firmada a intenção
de transmudar todo veneno e ferrugem
em pedaço do paraíso. Ou vice-versa.
Ao prazer do bel-prazer,
como quem aperta um botão da mesa
de uma ilha de edição
e um deus irrompe afinal para resgatar o humano fardo."
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Re-conhecendo a Amazônia: web-novela

Tive a oportunidade de participar de projeto com Professores/alunos da ECA/USP em uma verdadeira expedição na Amazônia Paraense.
O projeto chamado "Rivers" aconteceu de 27 de junho a 14 de julho de 2008 e me proporcionou (antes de tudo) uma importante reflexão a respeito da Amazônia, como habitante desta área de simplicidade e beleza impares.
Vou compartilhar esta experiência aqui com você e com isso, "tentar" partilhar esta viagem.
O projeto chamado "Rivers" aconteceu de 27 de junho a 14 de julho de 2008 e me proporcionou (antes de tudo) uma importante reflexão a respeito da Amazônia, como habitante desta área de simplicidade e beleza impares.
Vou compartilhar esta experiência aqui com você e com isso, "tentar" partilhar esta viagem.
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